O dedo-duro é o travessão?
Vivemos mudanças rápidas e intensas — aos ventos frios de uma terceira guerra mundial. Nas ondas dos likes, emojis, seguidores e haters... a cada respiro, uma pose a ser compartilhada. E nascem os influencers.
Postam-se fotos e vídeos... e até textos.
Ah, os textos e os tão temidos textões.
Pois é, para textos, textinhos e textões entra em cena o domínio da língua, culta, acadêmica ou popular, com suas gírias, códigos, conceitos, categorias teóricas e figuras de linguagens a enriquecê-la.
E a onda do notável, admirável e aprovável chega aos textos acadêmicos nos braços da Inteligência Artificial...
Ai... (Com ou sem acento agudo; com ou sem exclamação, ou com todas as duas letras em caixa alta? Fica ao critério do leitor).
Dizem por aí que é fácil identificar um texto escrito por Inteligência Artificial.
😏
Mas nos apps da Microsoft e outras plataformas já não há AI?
Corretor ortográfico automático no Word, gráficos no Excel, tradutores online... e por aí vai. Só não estava claro que o que estava por trás era inteligência artificial — criada, diga-se de passagem, por muito trabalho intelectual humano.
Então, agora, o que muda com o uso da AI na escrita acadêmica?
Ela, de fato, está democratizando as revisões dos textos – até então pagas por quem podia pagar, ou feitas por parentes e amigos ocultos, quem deixam lá as suas digitais impressas.
Sim, sim! E basta conhecer os parentes ou amigos para reconhecer o seu estilo em qualquer dos textos que contribuíram anonimamente.
Ora, pois, pois... vocês não sabem? Textos têm DNA, ou, pelo menos, impressão digital.
🤔
Aí, você deve estar pensando:
Então a AI também tem impressão digital?
Eu te diria que tem, sim, DNA. Diria ainda que, se hoje um texto de AI pode parecer cheio de impressões digitais, daqui a pouco (ou já agora) pode não ter mais.
Eu te falo isso pelo seguinte: o sistema está sempre se aperfeiçoando, seja com os profissionais que o mantêm, seja pelo seu “aprendizado” automático com o uso das pessoas. Diria ainda mais: com o uso de AI, não é só a “máquina” que aprende. As pessoas também aprendem.
Eis aí o segredo, a dialética.
😡
Calma aí. Falo de uma velha lei da mudança.
E antes que alguém reclame, eu não estou fazendo propaganda comunista, ok? É só dialética mesmo.
Voltemos ao assunto.
Ando lendo e ouvindo por aí uma teoria curiosa: a frequência do travessão denunciaria o uso de AI.
Ai!!! Será mesmo?
Ou será que, para manter ocultos revisores contratados (ou os colaboradores amigos) resolveram incriminar o travessão.
Coitadinho.
Na verdade, os travessões apenas revelam a presença do aposto. Sim, com eles vem junto um aposto — e pode apostar.
Você não se lembra mais dele? É aquele trecho que traz alguma exlicação.
Por acompanhar estudantes, muitas vezes sem ser devidamente identificado, o aposto comumente chega escoltado por vírgulas, correndo o risco de deixar o parágrafo imenso. E entre tantas vírgulas o leitor pode se perder. Outros escritores tendem a envolver apostos com parênteses. Há, ainda, quem prefira trazê-los após dois pontos.
E o que a AI fez?
Deu palco e luz para o aposto, libertando os travessões.
Aposto devidamente apresentado — e liberado o travessão —, praticantes da escrita passaram a usá-lo em seus textos, textinhos e textões...
E agora?
Seria o travessão o dedo-duro, o talarica da escrita acadêmica ou será que, para manterem privilégios e oculto o sujeito revisor, estão criando por aí um outro bode expiatório?
Luzia Magalhães Cardoso

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