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terça-feira, 30 de abril de 2019

O Brasil que a mídia não divulga




O Brasil que a mídia não divulga 


Há algum tempo, as mídias oficiais brasileiras optaram por notícias sensacionalistas, muitas vezes passando a largo da verdade, para aumentarem a venda de seus produtos. Notícias sangrentas, alarmantes e que promovem o ódio, o pânico e a insegurança passaram a se fazerem frequentes.

Em consequência, a população tendeu a se tornar mais temerosa, pessimista, desconfiada, incrédula, como se o espelho embaçado que a mídia dominante forjou refletisse fielmente quem somos nós, o povo brasileiro.



Na contrapartida aos ataques a nossa autoestima, a prática cotidiana de cada um de nós vai mostrando que cultivamos valores de solidariedade, respeito aos outros seres humanos, aos animais e ao meio ambiente, honestidade e fraternidade. 


Não vê nada disso? Então, olhe ao redor e veja quantas pessoas que ao caminharem com o seu animal doméstico carregam saquinhos e pá para recolher as fezes dos mesmos. Repare na calçada de teu bairro e veja o quanto que anda mais limpa. Repare em alguns vizinhos teus que embalam seletivamente o próprio lixo para contribuir com o trabalho daqueles que coletam materiais recicláveis. Repara no número de pessoas que devolvem troco a mais etc.

Felizmente, venho percebendo no meu dia-a-dia a presença desses valores e hoje quero falar de uma experiência bastante recente:

Estive fazendo um passeio histórico no fim da Semana Santa. Visitei Ouro Preto, Mariana e Congonhas. Chegando em Ouro Preto no dia 19 último, com duas amigas.

Após nos alojarmos no hotel, fomos jantar em um restaurante muito acolhedor, Restaurante Spaghetti, situado à rua Conde de Bobadela, 138, Centro, Ouro Preto, MG. 

Estávamos cansadas devido às oito horas de viagem de ônibus, do Rio de Janeiro a Ouro Preto e também bastante famintas. 

No restaurante, pedimos duas lasanhas, uma de brócolis e outra de espinafre. Duas lasanhas para três, sim, porque somos esbeltas! Ah, também pedimos duas ou três cervejinhas para comemorarmos, pois merecemos muito!

As lasanhas estavam saborosíssimas! Muito, mas muito gostosas mesmos. O atendimento foi impecável. Todos muito gentis.

Ao final, a conta deu R$ 118,20 e que dividimos por três, de forma que cada uma pagaria o valor de R$ 39,40. Pagamos e saímos leves, lindas e saltitantes para começarmos a conhecer Ouro Preto.

Dois ou três dias, já de volta à minha casa, no Rio de Janeiro, fui conferir os meus gastos de viagem, comparando as minhas anotações de meu bloquinho com o extrato do banco. E então, levei o maior susto ao me deparar com um comprovante de pagamento de R$ 93,40 realizado no Restaurante Spaghetti, no dia 19 último. 

"Eita, R$ 93,00?!!!! Como? Não é possível!!" Pensava. 

Não entendi, nada. Consultei os meus apontamentos de viagem e nada batia. Voltei, umas trezentas vezes, ao extrato bancário, às minhas anotações e comprovantes de pagamento e não batia. 

Percorri, passo a passo, em minha memória, todo o dia 19 de abril e não confirmava aquele gasto. Foi então que resolvi fazer contato com uma das minhas companheiras de viagem: comemos duas deliciosas lasanhas, tomamos duas ou três cervejinhas e dividimos o valor total por três.

Percebi que houve um erro de digitação do trabalhador na hora de registrar o valor a ser cobrado na máquina. Sim, acontece com qualquer trabalhador, principalmente no final do expediente e em tarefas repetidas. Em vez de digitar R$ 39,40, a pessoa que fez a cobrança se enganou e inverteu os dígitos, registrando R$ 93,40. 

Cansada, com os óculos na bolsa, muito empolgada, feliz por estar em Ouro Preto e muito satisfeita com a excelente lasanha que havia comido, não percebi o erro, apenas cuidava de anotar os meus gastos em meu bloquinho de anotações da viagem e guardar o comprovante de pagamento. Paguei sem perceber que o valor estava errado.

Diante do fato de que havia pago um valor a mais do que o consumido, busquei o contato do Restaurante Spaghetti pelo Google e pelo Facebook. 

Telefone e Messenger na mão, liguei. Ao telefone, fui muito bem atendida por uma gentil e atenciosa senhora ( a voz parecia ser de uma muito jovem mulher). Ela me ouviu atentamente e se prontificou em verificar. Após verificar, por WhatsApp, retornou ao contato comigo e pediu os meus dados para realizar o estorno da diferença. 

Hoje, recebo a confirmação da devolução dos R$ 54,00 cobrados a mais e por equívoco. Fiquei imensamente feliz. Fiquei feliz não somente por ter o valor devolvido, mas, principalmente, por confirmar que a confiança, o respeito, a solidariedade e a honestidade são valores que nós, o povo, brasileiro, cultuamos e ensinamos às novas gerações.

Esta, sim, é a prática cotidiana do povo brasileiro! Esta, sim, é a nação que somos e que temos que divulgar. 

Somos brasileiros e com muito orgulho!!!!!

Ah, quando forem a Ouro Preto, façam as refeições no
Restaurante Spaghetti ( https://web.facebook.com/restaurantespaghetti/ ). A massa de lá é muitíssimo saborosa e a atenção de todos, ímpar!

Luzia Magalhães Cardoso
Rio de Janeiro, 30\04\2019

sábado, 19 de janeiro de 2019

Dependentes do Espelho


Pensando melhor, o título adequado é 
"Alma Penada".


Determinados segmentos da classe média brasileira sempre demostraram certo prazer em se medir em relação aos outros segmentos sociais por meio do “quem me indica”. Essa “medida de valor” é usada como que para conferir maior status social, na medida em que lhes garante acesso a serviços, embora na maioria em instituições públicas.
A possibilidade de tal prazer, no entanto, parecia vir sendo abalada quando da ascensão de um operário nordestino ao maior cargo do país.
Pelo menos para o acesso a alguns serviços públicos, o tal operário havia mudado as regras do jogo, inviabilizando o “quem me indica”, democratizando  ainda mais, inclusive, o acesso por concurso público, quando instituía a concorrência entre pessoas em condições semelhantes, introduzindo as quotas étnicas e indígenas, para pessoas com deficiência e, no ensino universitário, também para aqueles provenientes de escolas públicas.
Talvez por isso, o ódio a tal operário se reverbere nos setores dessa classe média que muito se beneficiavam do “quem me indica”.
Com Machado de Assis, no conto “O Espelho: esboço de uma teoria da alma humana”, há a possibilidade de se refletir sobre estas questões da alma humana, para a compreensão das origens do sentimento hostil que se mantém em setores da sociedade brasileira por aquele que deu oportunidades a quem não as tinha.
Nesse conto, Machado de Assis trata das contradições entre ser e parecer ser, entre a imagem que passamos e o que somos de fato, classificando aqueles que nos veem como a nossa alma externa e as nossas impressões de nós mesmos como alma interna.
Ao aproximarmos a tradução de Machado de Assis a respeito da alma externa ao comportamento de segmentos das classes médias, percebe-se que parece que eles perderam uma de suas almas externas quando o glamour do “quem me indica” não determinava mais o acesso a universidades, serviços e empregos públicos e, por meio deles, às oportunidades de melhores salários no mundo do trabalho e ascensão social.
Com a ascensão do operário ao poder maior, setores da classe média perdiam, também, a alma externa que os referenciava por ter um “quem me indica”, os setores economicamente mais baixos. 
Não havia mais brilho em dizer “sabe fulano? Conseguiu um bom emprego por indicação do beltrano, empresário tal! Veja, sicrano, que é amigo daquele político, com um empurrãozinho, entrou para a universidade!
Ah, isso não dava mais glamour, não! Agora, isso demonstrava incapacidade para concorrer em situação de igualdade e lealdade. Uma situação dessa envergonhava, não mais enaltecia ninguém.
Nesse sentido, na alvorada do Século XXI, aqueles setores medianos da sociedade brasileira precisariam mudar o seu comportamento social para galgarem os degraus mais altos e tão cobiçados pelos mesmos.
Ao mesmo tempo em que tais segmentos sociais medianos perdiam a sua alma externa, viam enfraquecer a função de seu papel lacaio e grudento de alma externa dos segmentos mais ricos da sociedade. Ora, ora, quem é que precisa de pelego que não mais influência ninguém?
Perdendo a função de alma externas dos ricos, tais segmentos sociais da classe média perdiam, também, o seu brilho purpurina e os farelos de regalias.
E, aí, dá para compreender a origem de tanta raiva e hostilidade, pois se a alma externa é imprescindível, ficar sem ela é mesmo imperdoável!


Luzia M. Cardoso
Revisado e ampliado em 05\06\2019.

Referência: ASSIS, Machado. O Espelho, in Papéis Avulsos. Belém, Pará: NEAD, sem data. Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua000223.pdf

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Por que a Castração Química Não Combate a Cultura do Estupro

#eleNunca

Por que castração química não combate a Cultura do estupro?


Porque a prática do estupro está embasada na ideologia machista e na relação de dominação.  Evidentemente que, também, em desvios de personalidade e problemas psiquiátricos, mas não só.

Mulheres diversas foram estupradas por seus maridos, namorados, noivos, ficantes por eles não saberem ouvir e não respeitarem o "não quero". Muitos homens acreditam que o "não" da mulher é um "sim" disfarçado. Acreditam, e defendem,  que forçando o início, durante a relação sexual elas irão sentir prazer. É uma cultura falocêntrica o entendimento de que o falo, por si só, resolveria o não desejo feminino. Daí eles estupram.

Muitas mulheres que passam por essas situações com seus maridos, namorados e ficantes se sentem culpadas e confusas por terem sofrido a violência. Como se a relação de afeto e o fato de permitir carinhos levasse à obrigatoriedade de aceitar uma relação sexual não desejada.

Será mesmo que o tal candidato defende castração química para esses casos, ou ele vai relativizar, dizendo "esses, não!"?

E a pedofilia, que é uma prática de estupro a menores e, portanto, vulneráveis. Quantos pedófilos existem, nas "santas e sacras famílias", que se aproveitam da proximidade com crianças e adolescentes para atraí-las para situações onde serão violentadas, abusadas da forma mais perversa, humilhadas, ofendidas, ameaçadas, muitas vezes, por anos a fio.

Quantos tios, avôs, país, vizinhos, padrinhos, amigos, padrastos se utilizaram da confiança do núcleo familiar para abusarem de crianças e adolescentes? E o pior, nem sempre a criança ou o adolescente conseguem falar, e os que conseguem falar, não conseguem provar. Daí, a justiça considerar muitos abusadores inocentes.

Embora a justiça tenha considerado muitos abusadores  inocentes, eles não o são, eles são pedófilos. Vejam, esses ficarão sem castração química e estuprando crianças e adolescentes conforme a sua vontade e a possibilidade manifesta.

Há ainda estupradores impotentes. Sim, esses não estupram com o pênis, mas com qualquer objeto que, em suas mãos, possam ser utilizado para a mesma função. A esses, a castração química, mesmo que ocorra, não lhes retirará a tara do estupro. E aí, defenderão a amputação das mãos ou a pena de morte?

O combate ao estupro, à cultura do estupro,  se dá pelo combate ao machismo, à dominação e à relação de poder entre gêneros. O combate ao estupro se dá pela cultura de respeito ao outro, pelo respeito às diferenças e aos diferentes. O combate à cultura do estupro se dá pelo entendimento que o corpo do outro é inviolável e que, não importa o local, o momento, a roupa, o comportamento ou o tesão, o Não é sempre Não.

Algumas mulheres podem até acreditar que aquele  que defende castração química para estupradores pensa em protegê-las, contudo, essa mesma pessoa chamou a colega de trabalho de vagabunda. Essa mesma pessoa disse a uma mulher que, por ela ser feia, ela não merecia ser estuprada, deixando evidente o seu entendimento de que as bonitas merecem ser estupradas.

Essa mesma pessoa, que parece querer proteger mulheres com castração química para estupradores, deixa claro que considera mulheres seres inferiores aos homens ao verbalizar que teve quatro filhos machos e, na fraquejada, veio uma mulher; que mulher deve ganhar menos que o homem porque engravida e se ausentará do trabalho nos períodos de licença maternidade.

Vamos refletir, mais de 2 milhões de mulheres não estão gritando #eleNao , #eleNunca  à toa. O grito se deve ao fato de que essa pessoa demonstra não ter a menor condição de governar uma nação.

Nessas eleições, há inúmeros candidatos à presidência. Há dos liberais aos que têm propostas mais sociais. Assim, não justifica a opção por um candidato que propaga o ódio, a violência e o preconceito.

Luzia M. Cardoso

terça-feira, 1 de maio de 2018

Cartas para Lula - 04

Foto de @Lula Curitiba, Paraná - 1º de Maio de 2018. #LulaLivre 
(https://www.facebook.com/Lula/?hc_ref=ARSwwSkSYLdE8RBAvYpaC48pg_jb7cL26kTiEIR5hQVJRmgHTnR5SCPetR0WxDaLF70&fref=nf.) 

Cartas para Lula – 04
     Como vai, companheiro? As notícias que circulam na imprensa oficial, na imprensa alternativa e nos círculos sociais nos acalentam, pois dizem que você está bem, na medida do possível. Fico mais tranquila assim. 
   Pelo Brasil a fora, continuam as manifestações reivindicando a tua liberdade. Sabe, a cada dia que passa, nos damos conta de que cadeia não foi feita para os amigos daqueles que deveriam ser os guardiões da Lei e da Justiça. Para aqueles, parecem ampliar as brechas da lei.
     E o povo, que já sentia na própria pele a ponta penetrante da espada empunhada pelos olhos cegos e ouvidos moucos, percebe que a balança deve ter sido herdada daqueles comerciantes da antiguidade, que tinham pesos para venda diferentes dos pesos para compras.
     Como todo gato tem rabo e como todo rabo de gato balança, companheiro, não há como esconder gatos. Por isso, o povo já percebeu que a tua prisão é política e que ocorre para que não concorra às eleições.  Acontece que a tua popularidade sobe dia após dia, enquanto a dos demais desce ao subsolo. Não há como candidato de partido governista vencer em eleições limpas e diretas. Não há, não! Se havia alguma possibilidade mínima, ela escorreu pelo ralo.
     Ah, sabe aquele último poema que te enviei, “Das Manhãs...”? Sobre se ele foi ou não inspirado em ti? Reproduzo o que respondeu o próprio poeta José-Augusto de Carvalho: “(...) foi escrito a pensar nele e noutras vítimas do Imperialismo.”
    Por hoje, vou ficando por aqui, meu querido e para sempre Presidente do Brasil e deixo um poema que você já deve conhecer, pois foi escrito pelo poeta concretista Haroldo de Campos, em 1996. Contudo, eu achei o poema tão atual que pensei: Por que não o enviar?
     Não há golpe que mude a vontade popular: “como um mais dois são três, vai dar Lula em 2018 outra vez!”    
        Com um carinhoso abraço,


Luzia Cardoso LULA


POR UM BRASIL-CIDADÃO
como um mais dois são três

vai dar lula desta vez
quem quer terra
vai ter terra
quem tem fome
vai ter pão

o brasil vai ficar sério

cadeia para o ladrão
emprego para quem sua
adeus meninos de rua
o brasil vai ficar sério
vai sair da contramão

de um metalúrgico vem

esta operação cirúrgica
que vai tirar da UTI
o brasil - grande nação - 
que o latifúndio estrangula
mas que graças ao luís lula
vai virar país-cidadão

como um mais dois são três

vai dar luta desta vez
e já no primeiro turno
pois o povo é bom aluno
e no suor diurno e noturno
aprendeu a sua lição

como um mais dois são três

vai dar lula desta vez
lulalá lulalá lulalá
não vote em vão: vote em lula
por um brasil-cidadão

Haroldo de Campos
http://csbh.fpabramo.org.br/o-que-fazemos/editora/teoria-e-debate/edicoes-anteriores/poeta-haroldo-de-campos


quarta-feira, 25 de abril de 2018

Um Livro para Lula



" E és tu, Zé-Ninguém, que fazes do grande homem
um paria quando o seu pensamento correto e duradouro
 enfrenta a mesquinhez e a precariedade das tuas convicções.
És tu que o condenas à solidão, não à solidão que gera 
grandes obras, mas à solidão do temor da incompreensão
 e do ódio. Porque tu és “o povo”, a “opinião pública” e a 
consciência social”. (...)  Zé-Ninguém, tu estás sempre do 
lado dos opressores. (...) Eu sei que não és apenas medíocre,
Zé-Ninguém. Sei que também tens as tuas grandes horas na vida,
momentos de “júbilo” e “exaltação”, de “vôo”. Mas falta-te a coragem
 para subir cada vez mais alto, para manter a tua própria exaltação." 
(Wilhelm Reich, 1946)




 Querido e para sempre presidente, "Escuta, Zé-Ninguém!" é um dos livros do autor que se dedicou ao que denominou de "peste emocional". Reich muito investiu em pesquisas para compreender essa "peste".
 Psiquiatra e psicanalista, de família judia, da Áustria, viveu entre  1897 a 1957.  Fugiu do nazismo, passou por vários  países da Europa e, por fim, chegou aos EUA, onde foi investigado pelo FBI, que suspeitava que tivesse atividades subversivas.   
 Neste livro, Reich escreve ao povo, a quem denomina de "Zé-Ninguém". Reich faz uma crítica ao próprio povo, sem papas na língua.
 Espero que goste da leitura eque este livro ajude a entender o povo brasileiro.

Boa leitura!

Com carinho,

Luzia Cardoso Lula