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domingo, 21 de julho de 2013

Nos bastidores do humor: Olhando pelas fechaduras

                                       
Nos bastidores do humor: Olhando pelas fechaduras


                                                                          Por Luzia M. Cardoso



- Ei, oia lá!! Num é a Catiuslixa Conoscu i Imbromirdo Contagr'Anna, da Rede Bobo?
- Vixi, i num é qui é, seu mininu!
- Mó di que elis istão aqui na cumunidadi?
- Sê num sabe não, cumadi? Istão fazenu laboratóiu!
- Laboratóiu?
- Sim, us novus humorista pircisam cumpri os cundicionantes da BBB?
- Mais qui diacho é BBB, cumpadi?
- É a Borsa Burguesia, uai!!!
- Pur meu Padim Padi Cíceru, i mais essa! Borsa dus Braçus da Burguesia!!! I qui tar di cundicionante é essi?
- Cumadi, os ricus vivem di nossu trabaio. Certu?
- Certu, cumpadi. Num é novidadi! I qui tar di cundicionante é essi agora?
- Intão, pra receber a Borsa dus Braçus da Burguesia, os novus humorista percisam cumpri a meta de isculhambação com nóis. Num sabia não?
- Vixi! Intão se num bastassi explorá nossu trabaiu i nus vendê ilusão, dá dinheiro também isculhambá cum nóis?
- Intão, cumadi, agora,  passeá di teleféricu no morro pra olhá comu nóis vive i sacaniá nóis virô mina di oro, produtu tipu ixportação!!


(Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência)

sábado, 20 de julho de 2013

Vândalos


   Vândalos
                                                                                              Por Luzia M. Cardoso

Vândalos

A palavra vem do mundo antigo, uma tribo germânica que atacava o Império Romano. Seriam vândalos então todas as tribos que não estivessem sob o domínio do imperador.

 Vândalos

Um termo que vem da época dos grandes impérios, mais precisamente da época do Império Romano, cujos imperadores se esbaldavam em suas riquezas, em orgias, nomeando cavalo para cargo políticos enquanto cobravam altos tributos dos cidadãos romanos, escravizavam povos, exterminavam multidões e cobiçavam conquistar novas áreas.

Vândalos

A palavra caminha pela história associando-se não aos imperadores, mas aos povos bárbaros que resistiam com invasões e lutas contra determinados domínios, deixando cair vários símbolos do Império Romano. E por isso o termo vândalo passou a ser associado àqueles que destroem patrimônios e bens.

Vândalos

O termo atravessa os séculos, chega ao portal do Século XXI, dos tempos tão aguardados – A Era de Aquarius.

Vândalos

Se protegem com capuz e toucas que lhes encobrem os rostos, e carregam pedras portuguesas, frascos de vinagre e rojões de festejos juninos para resistirem aos caveirões, bombas de gás lacrimogêneos, spray de pimenta, jatos de água e outras armas mais letais presas às cinturas dos fortes homens do Estado, devidamente treinados, fardados, armados e protegidos com capacetes, toucas, escudos, coletes à prova de balas etc. Os primeiros, seguem a pé, os segundos de motos, carros blindados e helicópteros.

Vândalos

Mascarados que se protegem das brumas que não produzem nenhum efeito moral naqueles que esbanjam a verba pública, promovendo o maior esculacho em seus eleitores.

Vândalos

Jovens da atualidade agora são assim classificados quando ocupam as ruas das cidades brasileiras para denunciarem o desvio do bem público para contas privadas, a destruição do patrimônio natural e humano, esgotados pela super-exploração que promove hemorragias em nossas fontes.

Vândalos

Conectados que se juntam nas redes virtuais e materiais, nas malhas viárias, espalhando fotos e vídeos que denunciam a truculência do Estado.

Vândalos

Novos imperadores vão e voltam, diariamente, de helicópteros, pelos bairros da cidade e para a região litorânea levando os seus animais de estimação, seus parentes, amigos e festejos, enquanto põem abaixo museus, escolas, casas, todo o sistema de educação e saúde, fazendo da cidade um imenso canteiro de obra, deixando famílias à míngua com os prejuízos que lhes acarretam.  Vão e voltam de aviões e gargalham com os alvos guardanapos franceses ao sabor das borbulhas que lhes sobem à cabeça.

Vândalos

Endinheirados, em carros blindados, vivendo em mansões, fazendo de nosso suado dinheiro aviõezinhos de papel debochando da multidão, com óculos de lentes escuras para não verem o povo que agoniza nas pedras que margeiam os lugares onde deixam os seus sofisticados carros.

Vândalos

O povo que obtém como resposta do poder público às denúncias que fazem -  com cantos, gritos, palavras de ordem, ocupações e cartazes - bombas de gás lacrimogêneo, balas de borrachas, spray de pimenta, perseguições pelas ruas de nossas metrópoles, e mensagens que soltam suas entrelinhas e revelam o desejo de endurecem mais nas formas de repressão.

Vândalos

Aqueles que não levam sequer uma maria-sem-vergonha, que insiste em nascer nos canteiros do Leblon, para os túmulos de centenas de pessoas que morrem nas periferias desse luxuoso bairro, mas distribuem rosas brancas em suas ruas reluzentes, solidários com as vitrines cobertas por seguros, e que se quebraram ao impacto de pedras portuguesas. Aqueles que mostram a sua tristeza frente às imagens de bonecos queimados nas fogueiras que foram acesas e espalhadas pelas brasas e pelos ventos da ganância da burguesia brasileira.

Vândalos

Tentam passar pelo estreito gargalo do processo de seleção para acessarem as poucas vagas ofertadas no ensino público de nível médio e superior, mas que acabam empurrados para as largas portas do mercado privado, que lhes entregam mercadorias de qualidade questionável.

Vândalos

            Vendem habitações aos setores médios, cobrando por m² construído mais de R$ 5.000,00, afastando-os das áreas das elites e compensando-os com rasas piscinas e churrasqueiras, ao mesmo tempo em que empurram os segmentos mais pobres da sociedade para periferias cada vez mais distantes dos centros onde irão ofertar a sua força de trabalho.

Vândalos

Então, que todos nós gritemos juntos: basta de vandalismo!!!!!!

domingo, 30 de junho de 2013

Plebiscito ou Referendo? Eis a questão.




Será que, à semelhança de Hamlet, estamos diante de uma tragédia anunciada? Será que como Hamlet, apesar de herdeiros de um trono, diante da morte do rei, corremos o rico de sermos expropriados de nossos sonhos por um tio qualquer?

Plebiscito ou Referendo?

E os dois termos podem ser materializados de várias formas, adquirindo inúmeras significações. 

Referendaremos o texto de um grupo que vem sendo questionado? Fortaleceremos o processo político com as duas únicas opções do "Sim" ou "Não" ? Exigiremos nos posicionarmos ponto a ponto do texto da Reforma Política? E aí, antes ou depois do texto escrito, me parece que tanto faz ser plebiscito ou referendo.

Então, vamos discutir os pontos que queremos que sejam tratados nesta Reforma Política, bem como a extensão e o conteúdo do instrumento de consulta popular

Plebiscito ou Referendo?

Parece que ouço as angústias de Hamlet:


"Oh, se esta carne, muito, muito poluída
pudesse derreter-se, transformar-se em água.
Ah, se pudesse resolver-se num orvalho!
Ou não tivesse o Eterno posto a sua lei
contra o suicídio! Ó Deus, meu Deus, que fatigantes,
insípidas, monótonas e sem proveito
as práticas do mundo, todas, me parecem!
Que nojo o mundo, este jardim de ervas daninhas
que crescem até dar sementes; como o cobrem 
coisas de luxuriante e rude natureza!" (William Shakespeare, 1564-1616)

Luzia M. Cardoso

domingo, 23 de junho de 2013

A pauta e os rumos do Movimento




A pauta e os rumos do Movimento

Luzia M. Cardoso

Independentemente do estopim que mobilizou para as massas para as ruas, a evidência deste momento é que todos estamos muito insatisfeitos. As mesmas pessoas que veem consumidas sob rodas e trilhos as horas de seus dias e de suas vidas e que, paradoxalmente, deixam distantes de seus olhos e mãos a possibilidade de dias melhores, são as mesmas pessoas que hoje tomam, e a pé, aquelas avenidas dizendo: "Não dá mais para suportar, essa realidade tem que mudar".


E tem que mudar para além do samba e do futebol, e por isto os pés de hoje nas avenidas não dançam e nem driblam mas, firmes, caminham marcando o chão.

E neste cenário, no meio que costurou toda esta rede, vemos darem nós em pontos laçados em outras malhas, na intenção de redirecionarem as águas que represaram para os leitos há muito demarcados. E para não haver resistência, deixam sob nuvens os mapas e a pauta do trajeto. 

E sem terem consciência do planejamento, ao serem abertas as represas, as águas se lançam para além das margens e até ultrapassam o traçado, mas apenas no momento de maior pressão, pois tenderão a ser puxadas pelas correntes que as subordinam ao seu novo leito.

Mas se águas podem ser represadas e direcionadas, independentemente de sua vontade, a massa que vemos nas avenidas é formada por pessoas com histórias, lutas e sonhos e em plena condição de exigirem os mapas e as pautas que estão sendo elaboradas para o seu trajeto, antes de se lançarem ao mar.

Que icemos as âncoras, que lancemos as velas ao vento, mas antes de tudo, que tenhamos a bússola e os mapas em nossas mãos, para ficarmos atentos à direção. 

O oceano é imenso, com várias rotas. No mar, há tempestades e também fortes ondas, mas com olhos atentos, objetivos claros e mãos firmes, não deixaremos o nosso barco ser largado à deriva.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

SEM BANDEIRA





SEM BANDEIRA
Luzia M. Cardoso




“A rua é nossa, aha, uhu!”, “A rua é nossa, aha, uhu!” E nos deparamos com a rua mais uma vez sendo conquistada como legítimo espaço de participação, de reivindicação e de protesto e hoje protagonizada principalmente pelos jovens de 2013. Uma lição aos jovens das gerações que os antecederam. Uma verdadeira aula de comunicação e mobilização.

E em poucos dias, o que era manifestação de centenas, virou movimento de massa além das fronteiras do país e descortina-se à nossa frente o “Movimento Pelo Passe Livre.”

E qual foi a motivação? Muitas. Com certeza muitas.  O descaso dos governantes por escolas, por hospitais e pelo suor de seus pais. Os gastos excessivos em infraestrutura para garantir maior enriquecimento de uma minoria durante as Olimpíadas de 2014 e a Copa de 2016.

Como se fosse deboche, o estopim do movimento é o aumento de R$ 0,20  sobre as tarifas dos transportes coletivos. E devido ao aparente motivo dos protestos, ouvimos dos governantes, dos donos das empresas e daqueles que acham que não têm nada com isso: - “Mas tudo isto por R$ 0,20?”.

Mas ao ver como cresce o movimento, parece que ouço no sussurro de seus passos: “Ora meus senhores e senhoras, não valemos nem mesmo R$ 0,20? Se é pouco para brigarmos, é menos ainda para vocês jogarem nas costas de nossos pais.”

E o movimento cresce e toma as ruas. Um movimento político que se anuncia sem partidos, explicitando o sentimento de descrédito pelos partidos existentes no Brasil. Um movimento que quer ter uma única face, contudo com múltiplos corpos.

E este movimento que reivindica o direito legítimo de ganhar a rua e expor os seus anseios e protestos; que grita “sem violência” para barrar a repressão do braço repressivo do Estado; que grita “sem violência” para barrar a ação depredadora de alguns de seus corpos, este mesmo movimento que se proclama “sem bandeira” quer  impedir o direito legítimo, e historicamente conquistado, de outros de seus corpos, que por caminhos já caminhados consideram importantes a filiação em partidos políticos revolucionários, que defendem a transformação social há mais de três séculos, tendo tido vários de seus quadros presos, torturados e mortos no combate ao nazismo, ao fascismo e há tantos outros sistemas que promovem desigualdades.

Por algum resquício dos ideários burgueses, que tentam nos fazer acreditar que as diferenças não existem (mas que se existirem deverão ser abafadas) e que confeccionam uniformes para negá-las, semelhantemente, muitos dos jovens participantes do Movimento Pelo Passe Livre querem arbitrar o uniforme (única forma) no não uso de bandeiras de partidos.
Mas o que é uma bandeira se não uma flâmula que explicita a que vem antes mesmo de chegarmos, antes mesmo de falarmos?

Mas o que é uma bandeira se não a transparência de nossos sonhos, de nossas ideias?

E a bandeira está tão misturada aos seus fundamentos que algumas pessoas nem precisam carregá-las, pois já refletem as suas cores. Vejamos, por exemplo, Laerte Braga  e Cyro Garcia precisam de bandeiras? Sendo eles uma das representações mais legítimas do PCB e do PSTU, estariam impedidos de participar do Movimento somente porque já sua própria figura os associa a bandeira dos partidos que constroem?

Mas há algo além da flâmula que balança no horizonte.  E há algo que faz balançar a flâmula no horizonte, embora nem sempre visível. Sim, há algo além das bandeiras, e este “algo além” denomina-se “ideologia”. Querendo ou não, concordando ou não, conscientes ou não, consequentes ou não, nosso verbo escrito e falado e as nossas ações embandeiram ideologias. 

Neste sentido, em toda ação há bandeiras e se há bandeiras em todas as ações, há também neste Movimento Pelo Passe Livre, embora tais bandeiras permaneçam na invisibilidade. Invisíveis, mas não inexistentes, assim como o vento que as movimenta. As bandeiras existem e estão sobre as cabeças dos participantes do Movimento pelo Passe Livre. 

Então, se bandeiras existem, se ideologias existe, que deixem que sejam percebidas, tornando-se visíveis aos olhos de todos, para que todos possam reconhecê-las e saber a que vieram.


Desculpem-me o transtorno, mas também estou aqui para mudar o Brasil!

domingo, 16 de junho de 2013

O Protesto de São Cristóvão - RJ: Mais uma cena da Rebelião do Vinagre




O Protesto de São Cristóvão - RJ: Mais uma cena da Rebelião do Vinagre

Luzia M. Cardoso


Hoje eu quis ver de perto a manifestação. E vi.  Vi e não acreditei que o nosso governo ponha forças policiais para amedrontar, acuar, prender  e maltratar, com gás de pimenta e lacrimogêneo, a juventude carioca. Um verdadeiro absurdo, Uma verdadeira truculência.



Vi rostos jovens, e muito jovens, gritando “Sem Violência”, usando de seu direito legítimo de manifestação. Estavam em paz, apenas gritando. E vi  um monte de homens, fortes policiais, armados, com escudos, carros e cachorros avançarem jogando bombas de gás lacrimogêneo na área onde estavam os jovens manifestantes.



Penso que toda luta deva ter princípios éticos: não atacar pelas costas e não atirar em pessoas desarmadas. Mas nas cenas que presenciei não vi ética alguma, pois a luta era desigual: de um lado jovens desarmados em sem treinamento de guerra ou guerrilha e de outro, homens blindados e com ampla experiência.



E, provavelmente, devido à experiência do aparato policial, os jovens correram para a Quinta da Boa Vista. Um lugar cercado por muros e com portões.  Neste sentido, vi os jovens presos lá, entre os muros da quinta da Boa Vista. Naquela hora pensei: “Deixarão os jovens aqui até tudo acalmar.” Mas que nada, jogavam bombas dentro da Quinta da Boa Vista!!!  Gente, em pleno domingo, dia em que famílias foram passear no local. Ora, já não tinham afastados os jovens da Av. Maracanã, precisavam tripudiar?



E fechavam a estação de São Cristóvão tirando o direito de todos de ir e vir. E o gás chegava a estação e as pessoas sofriam os seus efeitos e lá nem eram manifestantes.

E os jovens são solidários e socorriam senhoras, outros jovens e crianças. Ofertavam seus lenços, suas garrafas de água, seus ombros, e o vinagre para atenuar a queimação ardida causada pelas armas policiais.

Penso que está na hora daqueles jovens sonhadores dos anos 70, 80, 90 e 2000 se juntarem a estes jovens de 2013, pois o sonho é o mesmo. Penso que está na hora de mostrarmos que a luta por “Saúde, Educação, Liberdade de ir e vir, Transportes de Qualidade, Alimentação, Moradia, Terra e Teto" não é só luta de quem tem menos de 25 anos, também é a bandeira de seus pais, tios e de seus avós.



É verdade, o movimento é espontâneo e costurado nas redes sociais e, por ser espontâneo, pode ser também muito frágil. E neste sentido, aumenta a covardia de quem os ataca e a responsabilidade de quem manda atacar.


Deixo aqui o que as fotos e o vídeo que fiz, sufocada com o gás que aspirava e com os olhos embargados por perceber que as cenas que via foram gestadas nas urnas onde depositamos os nossos votos. Dispenso, também, os direitos autorais das fotos e do vídeo desta crônica.