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domingo, 14 de junho de 2026

A praça

 


    Inventário urbano





Domingo - 10h. É outono, o céu está nubaldo, com sol e uma brisa fresca.

É uma praça que também funciona como rotatória do fluxo dos veículos que vêm em sua direção. Ela está situada no meio da rua principal de mão única. Nesse ponto, o fluxo se distribui em duas ruas ao seu redor. Há uma terceira com uma feira livre.

Há árvores ao redor e em seu interior. Dois quiosques à esquerda, lado a lado. Estão fechados.

Ouve-se o trinar dos pássaros em primeiro plano. Em segundo, uma música que vem das caixas de som dispostas em frente à rua da feira, onde, entre barraquinhas na calçada e o canteiro à beira da grade da quadra de futebol de salão, há mesas e cadeiras de plástico branco e vermelho. Em um desses conjuntos, um homem está sentado.

Entrando na praça pela rua principal, à direita da quadra de futebol, há um  parquinho dividido em dois ambientes. Ambos com equipamentos coloridos: um em alumínio e o outro feito de troncos finos de madeira. Em ambos há balanços, escorrega e outros brinquedos, todos fixados ao chão. Há quatro brinquedos de madeira em formato de carrinhos, com janelas e portas: dois baixos e dois com escadas.  

Um homem de bermuda preta e camisa cinza está sentando em um balanço individual, e se balança.

Uma criança de roupa rosa se balança em outra cadeira de balanço individual e duas outras brincam em um brinquedo logo à frente.

Vozes:

- Aí!

- Hein?

Ao lado, um pula-pula de borracha está sendo montado. Som do compressor usado para enchê-lo de ar.

Vozes de homens conversando:

- Nessa hora tem uma porrada de... (inaudível)

Uma senhora, de cabelos curtos e grisalhos, usando uma blusa floral de mangas compridas e carregando uma bolsa de feira pendurada em um braço, atravessa a praça em direção à rua.

Há duas senhoras sentadas em bancos de cimento individuais, compondo um conjunto de mesa com quatro bancos. Uma em frente à outra, caladas. Os outros dois bancos, vazios. Há outros três conjuntos dessas  mesas, dispostos lado a lado. No centro das mesas, um tabuleiro de damas em ladrilhos pretos e brancos. 

No conjunto ao lado, à esquerda do primeiro, uma mulher de cabelos cacheados, de blusa azul marinho floral, está com o celular à sua frente e os braços apoiados na mesa.  Escreve. Há uma bolsa de compras preta estampada sobre a mesa.

Imediatamente a seguir, quatro homens jogam damas. Os conjuntos de mesa com os bancos estão instalados logo após a calçada ao redor da praça. Entre elas e um canteiro, há bancos de cimento para quatro ou mais pessoas. Em frente ao jogo de damas, um homem está sentado observando a partida.

Música de Djavan ao fundo: “... porque te ignoro, ou te conheço... é um milagre...”

No meio da praça há uma quadra de futebol, onde dois grupos jogam, com um publico que assiste o jogo. As pessoas estão sentadas na arquibancada de cimento, situada em uma lateral da quadra.

Carros de passeio e um  caminhão circulam.

Passam um homem e duas crianças com bonecas no colo.

Árvores ao redor e dentro da praça.

Som de carro acelerando.

Indo em direção à feira, equipamentos para exercícios na terceira idade.

Música de Djavan: "Você disse que não sabe se não..."

Trinos de pássaros, barulho do balanço coletivo. Nele, uma criança brinca.

Um homem de boné branco caminha pela calçada da praça enquanto olha o celular. Entram várias pessoas: dois homens caminham para um lado e um casal com uma criança, para o outro.

No banco de cimento alinhado ao quiosque, de frente ao parquinho de madeira, há um homem sentado com um cachorro.

10h24.

Música de Djavan: "...e me remete ao frio que vem lá do Sul...

Barulho de motor: um ônibus passa. Em seguida, passa outro.


Luzia Magalhães Cardoso

RJ, 14 jun. 2026


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